quarta-feira, 5 de julho de 2017

21º Capítulo − Quero que sejas minha, assim como estou disposta a ser tua.


Take me to church
I'll worship like a dog at the shrine of your lies
I'll tell you my sins and you can sharpen your knife
Offer me that deathless death
Good God, let me give you my life
− Hozier in Take Me To Church
Todos no bar se concentraram na sua vida assim que Demetria se virou. George, que no meio da confusão saiu do escritório, puxou Demetria para o seu escritório, de novo.
− O que se passou, Demi? Que espetáculo foi aquele no bar?! – George ficou furioso com a atitude de Demetria, não lhe agradava ser o centro das atenções.
− O que se passou?! Pergunta à tua prima o que é que a mamã dela, a Taylor e o Wilmer andavam a tramar. – Demetria tinha a fúria no olhar. – A Eva queria que ela deixasse de ser lésbica, como se isso possível, à força toda. – Demetria saiu porta fora. George não podia acreditar no ser retrógrado que Eva era.

Saturday, 02:37 A.M. Here's to Never Growing Up Bar, California
O resto da noite foi calmo com um misto de constrangimento e desejo para que o expediente acabasse rapidamente. Nem Eddie, nem George se atreveram a tocar no assunto ainda fresco a Claire, não tinham coragem. Claire sentia-se um completo caco, a sua própria mãe odiava tanto que não a suportava mesmo estando longe.
Claire já estava doente daquelas brigas todas entre ela e a sua mãe, o inferno entre ela e a sua mãe começou ainda na sua pré-adolescência. Não entendia a sua mãe, o porquê de ser fria e distante, não entendia o porquê de apreciar mulheres no lugar de homens.
− Claire, vamos? – Demetria pousou a mão esquerda no seu ombro direito. Claire não estava à espera daquele toque, mas não estremeceu. Acabou por engolir o resto da sua bebida e saiu de mãos dadas com Demetria.
− Desculpa, amor. – Demetria ia concentrada nas pedras da calçada, mas fez uma cara feia ao ouvir tais palavras.
− Quê? – Demetria encarou-a. Demetria detestava aquela mania de ela se desculpa por tudo o que lhes acontecia.
− Pela Taylor, pelo Wilmer, pela Eva… Por mim… − Claire sentou-se na calçada que separava a calçada do passeio da praia e começou a chorar copiosamente. Demetria entrava em pânico cada vez que ela chorava à sua frente.
− Para Claire! Tu não tens culpa do que eles te fazem, nos fazem! – Demetria sentou-se ao seu lado. – Tu devias parar de lhes dar tanta importância, tu tens me a mim. Isso não basta? Não basta o meu amor? Da Sel, da Miley, da minha família… Tens tanta gente que se preocupa contigo.
Claire limpou as lágrimas e abraçou Demetria. Demetria distribuiu carinhos e beijos na sua testa e ombro, levantou-se e estendeu a sua mão a Claire que imediatamente percebeu a ideia de Demetria.
Demetria e Claire caminharam pela areia fria lado a lado e sentaram-se mais próximas do mar. Trazia-lhes calma olhar para o mar, agora escuro pela noite.
− Queres mergulhar? – Demetria encarava o mar. Com Claire ao seu lado não tinha medo de cometer qualquer tipo de loucura.
− Estás doida? Já passa das duas da manhã e a água deve um gelo. – Claire protestou. Demetria tinha Claire sentada encaixada nas suas pernas.
− Tu é que não estás habituada, amor. – Demetria riu-se, em parte o que dizia era verdade. Claire reprimiu-a com o olhar mas acabou por a acompanhar numa longa gargalhada.
Claire parou de rir e virou para trás para a puder encarar. Pôs-lhe uma madeixa de cabelo atrás da orelha e beijou-a. Demetria gostou da sensação surpresa que Claire lhe proporcionou, pousou as suas mãos nas ancas de Claire, fê-la rir.
Demetria deitou-se sem se separar do beijo da amada. Claire tinha as suas pernas, uma de cada lado das ancas largas de Demetria, a maneira como sustentava o peso do seu corpo. As suas mãos estavam na cara de Demetria. Claire avançava agora sem medo e mais depressa, as suas mãos deslizaram para dentro das calças jeans de Demetria.
− Claire… – Demetria parou Claire durante uns instantes. – Nós precisamos de esclarecer algumas coisas.
− Fiz alguma coisa? Desculpa, não era minha intenção magoar-te ou desapontar-te… − Claire ergueu-se e começou a abafar-se com desculpas. Demetria revirou os olhos e deu um beijo leve nos seus lábios para a calar.
− Claire para de falar tanto. – Demetria compôs as suas calças jeans. Claire esperava ansiosamente e desesperadamente pelo que Demetria tinha a dizer. – Tu sabes que precisamos esclarecer algumas coisas, para assentar a poeira. – Demetria acariciava a sua bochecha direita. – Só quero saber se isto é realmente como penso, como sinto. Eu amo-te muito, ocupas um lugar especial no meu coração, não quero perder-te como te perdi para a Taylor tempos atrás. Quero que sejas minha, assim como estou disposta a ser tua. – Demetria ainda acariciava a cara de Claire.
− Demi, eu já era tua mesmo antes de te conhecer. – Claire sorriu-lhe e pousou a sua mão na de Demetria. Uma luz forte, possivelmente de um carro, cegava Claire que se viu obrigada a colocar a mão direita a tapar os olhos do clarão. – Amo-te
Claire beijou Demetria, ambas caíram para trás. A areia fina começava a irritá-las e a criar comichão. Seria melhor pararem de se beijar antes que tudo aquilo evoluísse para outro patamar.
− E se parasse com essa paranóia e olhasse para si? – Claire e Demetria pararam o beijo num sobressalto. Havia duas mulheres na calçada a discutir em alto e bom som.
− Não se meta na vida dos outros. Cuide da sua! Se tiver uma, claro. – Claire reconheceu ambas as mulheres.
− É a minha mãe e a Caroline, Demi! – Claire levantou-se num impulso, deixando Demetria para trás a pensar ainda nas palavras de Claire.
            Obviamente que Taylor e Wilmer iriam contactar Eva. Claire só não sabia que ela estava tão perto deles. Devia ter desconfiado da paranóia extrema de Eva.
            − O que se passa aqui, minha menina? – Eva partiu para cima de Claire sem a deixar respirar. Agarrou-lhe no braço e questionou-a friamente. Parecia que ela era o pecado. – Ouviste Claire? Foi assim que eu te ensinei? Namoro com garotas? – Eva repreendia o “erro” gigantesco que cometera.
            − Desculpe?! – Caroline puxou Claire dos braços de Eva. Demetria tinha chegado e Eva já lhe apontava o dedo pronta para descarregar algumas palavras. Demetria não se iria deixar ficar. Não levava desaforos para casa. – Você é um monstro. Você culpa a sua filha por algo que não tem qualquer mal, qualquer pecado, por algo que não escolheu.
            Caroline estava horrorizada.
            − Não percebo como uma garota tão bondosa como a Claire a suportou sequer, você não merece a filha que tem. – Após as palavras disparadas como flechas de Caroline, Eva desabou. Ela não a merecia, de todo. Eva tinha sido a sua heroína e agora era a sua inimiga, que bela tragédia emocional. Claire sabia o porquê da sua mãe chorar. Ajoelhou-se ao seu lado.
            − Por favor, não chore, mãe! – Claire começou a chorar. Caroline tentava tranquilizar Demetria que estava farta daquelas perseguições. – Mãe olhe para mim.
            Eva abraçou-a e soluçou no seu abraço. Sabia que era hora de parar com aquela birra, aceitar que ela não mandava em nada no que tocasse nos sentimentos da filha.
− Desculpa, Claire. – Eva chorava copiosamente. – Desculpa, Demetria. Peço desculpas também a si… − Eva limpou as lágrimas e olhou as duas que ainda estavam em pé, a olhá-las.
− Caroline. Não precisa se desculpar perante mim, apenas à sua filha. – Caroline acariciou-lhe os cabelos e sorriu-lhe maternalmente.


Continue…

quarta-feira, 21 de junho de 2017

20º Capítulo − Queres tomar banho comigo?



Stealing kisses from your missus

Does it make you freak out?

Got you fussing, got you worried

Scared to let your guard down
Boys, boys
Tell the neighbors I'm not sorry if I'm breaking walls down
Building your girl's second story
Ripping all your floors out
− Hayley Kiyoko in Girls Like Girls

Demetria deitou-se ao seu lado, completamente pegajosa e cansada. Ouviu Claire rir e encarou-a.
− Amo-te, Demi. – Claire beijou-a.
− Eu também te amo. – Demetria abraçou Claire por trás formando uma espécie de conchinha.
Claire e Demetria adormeceram assim mesmo, abraçadas uma à outra. Ninguém estava em casa àquela hora, ninguém. Tiveram tanta sorte, se Dianna ou Eddie, por exemplo, estivessem em casa ouvi-las-iam com clareza. Seria constrangedor, como é que Claire os iria encarar, ou Demetria?

Friday, 12:07 A.M. Lovato’s House, California
            Eddie e George não viriam para casa tão cedo, hora de ponta para o almoço. Apenas as mulheres da casa viriam. Seria uma excelente ideia vestirem-se para que ninguém desse conta do que se lá tinha passado.
            − Demi? – Claire tinha despertado. Mais cinco minutos não fariam mal a ninguém. – Isto não faz de ti minha amante?
            − A Taylor pediu-te em namoro alguma vez?
            − Ah… − Claire tentou lembrar-se de algum momento em que Taylor lhe tenha feito um pedido de namoro, não. Ela nunca o fez. – Nunca…
            − Já sabia… − Demetria beijou-a.
            − A Taylor não passou de um namoro não assumido para me irritar. Eu não queria aceitar que o que se passava entre nós era mais que uma boa amizade, não queria avançar para este nível, tinha receio. – Claire confessava pela primeira vez os seus sentimentos mais obscuros a alguém.
            Claire já não era virgem há tempos, não sabia sequer o que era isso. Odiava a típica frase “Na idade deles, eu ainda era virgem.”. As pessoas não percebiam que certas coisas que possam dizer podem afetar aqueles que estão à sua volta.
            Claire foi violada, filha de um pai e mãe famosos, divorciados com o tempo, um pai preso e a mãe uma atriz arrogante. Claire era bissexual, ouvia silenciosamente piadas de garotos que a tentavam impressionar, sobre a bissexualidade ser um tipo de retardo mental, que era uma desculpa para alguém não se assumir homossexual, que não existia isso de “amar ambos”, mal eles sabiam que Claire curtia muito mais beijos delicados a possessivos.
            − Acredita – Demetria falava ao seu ouvido. – A Taylor é péssima no que toca a fazer amor. – Riu.
            − Nota-se…− Claire acompanhou o senso de humor da amada. – Queres tomar banho comigo? – Claire virou-se para Demetria e beijou-a vezes sem conta continuamente.
            − Como isso parece uma súplica, eu aceito. – Demetria sorriu. Tinha o seu corpo em cima de Claire. Os beijos quentes e calorosos que as faziam sorrirem. Claire tinha as suas pernas à volta da cintura de Demetria, esta tinha a posição perfeita para a acarinhar Claire. Com beijos a abafar, provocou Claire.
Claire arfou, mal podia crer naquilo.
            Demetria levou Claire para o duche nas suas ancas. Trancou a porta e encostou a amada à parede do chuveiro. As mãos de Claire ficaram presas para o alto por Demetria. Demetria foi maldosa, no sentido safado, para Claire. Beijava-a, acariciava-a, provocava-a.

Friday, 12:47 A.M. Lovato’s House, California
Claire e Demetria vestiram-se no meio de brincadeiras e beijos quentes. Demetria não a deixaria ir, sabia que era importante para Claire, sabia que era uma pessoa que amava. Claire tinha deixado que Demetria fizesse amor com ela, era a sua primeira vez com uma garota. Claire confiava cegamente nela, Demetria não a desiludiu. Demetria foi cuidadosa, deu-lhe prazer sem a fazer lembrar das imagens terríveis que tinha.
Claire deitou a sua cabeça na barriga de Demetria, calmas. O desejo que tinham pelo corpo uma da outra, o desejo de serem uma só, não tinha cessado, não seria cessado porque se amavam.
− Demi… Meninas, não sabiam que já se tinham perdoado. Querem vir almoçar? – Dianna entrou de rompante, surpreendeu-se com a presença de Claire. Selena e Miley encarregavam-se de contar tudo o que Demetria fazia questão de não contar a Dianna, ela já não se importava com isso.
− Claro. – Disseram e deixaram os seus telemóveis/celulares em cima da cama.

Friday, 12:51 A.M. Lovato’s House, California
− Claro! – Claire e Demetria falavam felizes escadas abaixo. – Não, Demi! – Claire ria das piadas de Demetria.
− O que se passa aqui? – Miley e Selena perguntaram baixo a Dianna que preparava a mesa para o almoço.
− Meninas deixem que sejam elas a dizerem isso! Nós não temos nada a ver com isso, se elas quiserem dizer, elas que digam. – Dianna advertiu-as.
Claire e Demetria puxaram uma cadeira e sentaram-se. Selena e Miley seguiram à risca o que Dianna falou, sentaram-se e começaram a meter assunto com as duas, sempre com o intuito de espicaçarem alguma coisa delas.
Selena e Miley queriam perguntar o que se tinha passado para estarem tão animadas.

Friday, 01:51 P.M. Lovato’s House, California
Acabaram de almoçar, ajudaram Dianna a limpar a cozinha, mas sabia Deus o êxtase em que estavam para lhes perguntar o que se tinha passado.
Claire e Demetria sentaram-se no sofá da sala. Não sabiam disfarçar os sentimentos depois daqueles desabafos e daquilo que aconteceu no quarto de Demetria.
Dianna já tinha saído, esperaria por Miley e Selena no carro. Obviamente, que sabia que elas tinham inventado a desculpa de irem à casa de banho/banheiro para esmiuçarem Demetria e Claire.
− Agora contem o que se passou com vocês as duas! – Selena exigiu.
− Esta aqui fez-te uma lavagem ao cérebro ou algo do tipo? – Miley olhou de soslaio Claire.
− Não, não e não. – Demetria falou calmamente e acarinhou a perna de Claire. – Se quiserem nós contamos o que se passou. – Selena e Miley, claramente, aceitaram ouvir o que se tinha passado. Adoravam uma boa história.
Selena e Miley rapidamente se arrependeram de todas as pragas que rogaram a Claire. Tinham ouvido a versão completa de todos os acontecimentos recentes.
Miley e Selena não sabiam do passado de Claire, nunca tinha desconfiado de nada. Claire nunca teve uma vida de sonho, nem Eva.

Friday, 09:01 P.M. Here's to Never Growing Up Bar, California
Demetria apenas trabalhava de tarde, achava que Eddie a estava a poupar por conta das suas amígdalas que brincavam com a sua paciência. Em cinco anos já tinha ouvido falar da possibilidade de operação mais de três vezes. Inferno!
Claire acompanhou Demetria até ao bar do seu primo e decidiu lá ficar por conta de Demetria e George, ambos tinham, quase, pedido de joelhos para que ela ficasse.
Claire mexia no seu telemóvel/celular enquanto Demetria servia às mesas. Claire tinha ficado numa das cadeiras acopladas ao balcão. Começava a ficar aborrecida. Demetria ia e vinha e Eddie estava ocupado a cozinhar juntamente com os outros colegas de cozinha e George, bem, George estava encafurnado no próprio escritório.
Claire levantou-se da sua cadeira ao lado das outras cinco vazias, entrou pelo corredor reto e comprido e empurrou a porta de madeira que começava a ficar empenada.
− É a tua vez de a pressionares! Ela, com certeza, ficou traumatiza com a imagem de fazer amor com uma mulher! – Claire entrou sem fazer barulho e pôs-se à escuta. Era uma voz familiar, Swift?
− És parva, Taylor? Comigo? Achas que isso vai resolver? Isto tem haver contigo! Tu mal sabes se ela realmente ficou!      A Eva explicitou que serias tu! Tu é que terias de a traumatizar ou algo género. Tu! Eu sei muito bem como a Sr.ª Eva Longoria adora tudo perfeitamente executado. – Era Wilmer e Taylor.
Claire queria gritar, Wilmer e Taylor estavam juntos para a magoar, a mando de Eva, a sua própria mãe. Sem se dar conta, Claire tinha gravado a conversa toda.
− Demi... – Claire segurou no braço esquerdo de Demetria que se preparava para sair da cozinha.             Claire estava sem expressão.
− Agora não posso, amor.
− Entrega esses dois pedidos e vem falar comigo. Isto é sério e talvez nos envolva às duas. – Demetria reparou que Claire não estava a brincar e assentiu. Claire esperou Demetria entregar os pedidos, mandou-a sentar-se na cadeira ao seu lado.
− A Taylor e o Wilmer estão a armar alguma coisa contra mim. – Demetria não queria crer. – E é a Eva que está no comando de tudo, a minha própria mãe. Tenho a conversa gravada. – Claire emprestou os seus fones a Demetria ouviu tudo, ouviu tudo chocadamente.
− Não pode… − Demetria estava incrédula. Encarava o teto e o chão na procura de uma resposta. Nada.
Taylor e Wilmer saíram da casa de banho/banheiro com um sorriso presunçoso na cara, com ar de casal, com ar de pessoas humildes. Demetria estava de frente para eles, conseguia ver quem vinha do corredor que dava acesso à casa de banho/banheiro. Uma ânsia de vómito preencheu-a como uma faca. Levantou-se num lance de raiva.
Claire não pôde parar a amada que só depois percebeu o repentino movimento, rezou para que não fosse aquilo que pensasse que Demetria iria fazer. Tarde demais.
− Ouve aqui, Swift! – Demetria puxou os cabelos loiros de Taylor. – Já ouviste em amor-próprio ou amor ao próximo? – Demetria puxava os cabelos da garota alta até à altura do busto de Demetria que era mais baixa que ela.
− Demetria! – Wilmer gritou. Demetria já tinha toda a atenção do bar em si. – Por favor, não faças isso!
− Ainda bem que aprendeste o meu nome, Wilmer. – Demetria puxou mais os cabelos de Taylor com súplicas inaudíveis à mistura de choro.
Wilmer preparava-se para “desarmar” Demetria, porém esta foi mais astuta. Demetria com destreza e, talvez quem sabe, sorte, acertou-lhe um soco em cheio nas partes baixas fazendo-o gemer de dor.
− Sabem ao que me refiro e agora desapareçam! – Demetria soltou bruscamente Taylor que correu porta fora com Wilmer a mancar de dores.
Todos no bar se concentraram na sua vida assim que Demetria se virou. George, que no meio da confusão saiu do escritório, puxou Demetria para o seu escritório, de novo.
− O que se passou, Demi? Que espetáculo foi aquele no bar?! – George ficou furioso com a atitude de Demetria, não lhe agradava ser o centro das atenções.
− O que se passou?! Pergunta à tua prima o que é que a mamã dela, a Taylor e o Wilmer andavam a tramar. – Demetria tinha a fúria no olhar. – A Eva queria que ela deixasse de ser lésbica, como se isso possível, à força toda. – Demetria saiu porta fora. George não podia acreditar no ser retrógrado que Eva era.


Continue…

quarta-feira, 7 de junho de 2017

19º Capítulo − Faz amor comigo… Eu confio em ti.


AVISO: O capítulo contém cenas sexualmente explícitas!

Can you just stay through the night?

Turn down the bed and the blinds
Before your turn around
Can you just stay through the night?
Let me breathe you in 'til gravity bends
And we fall through the hole in the light
Make this our kingdom
Somewhere where good love conquers and not divide
– John Legend in Surefire

Sunday, 06:50 P.M. Here's to Never Growing Up Bar, California
Estava tudo muito bem organizado naquela noite. George veio ajudar Eddie na cozinha e Clarisse, uma amiga vizinha da família, veio ajudar a servir à mesa.
A intuição de Eddie nunca falhou em relação se o dia iria ser cheio ou não. Como ele costumava dizer “A velhice também é um posto”, e bem, como ele estava certo.
Demetria atendia toda gente com bastante simpatia, tinha parado de fazer performances, também, à coisa de dois dias, porque dentro de uma semana retiraria as amígdalas.
Segurou um das folhas do bloco de notas no varal da abertura da cozinha com uma mola de roupa. Tomou um pouco de água e sorriu para George. Quando se virou, sentiu uma ânsia de vómito e uma tontura num misto de raiva e tristeza.
Claire e Taylor tinham vindo mesmo. Taylor nem tocou na cadeira, simplesmente pousou o seu casaco, deu um selinho a Claire e, talvez, foi à casa de banho/banheiro.
Ela queria imenso ir falar uma última vez com Claire e quando se deu conta, bem, já ia na sua direção. A sua expressão fechou-se em desgosto. Claire olhava para o seu lado direito quando Demetria bateu com os punhos na mesa. Claire estremeceu pelo susto.
− A sério, Claire? Tu és estúpida? – Demetria rangeu os dentes. Claire olhou-a de cima.
− Não. Apenas estou com alguém que me ama de verdade, alguém que não é o que tu dizes ser. Sobretudo, alguém que não tenta algo logo com o primeiro beijo.
− Ah, esse foi o problema?! Era simples a resolução. Bastava dizer “Para, Demi. Não estou pronta ainda.” – Demetria estava alterada, o seu coração estava pesado.
− Mas eu nunca te amei… − Com toda a serenidade, foi apenas isto que Claire disse. Instalou-se um silêncio, Claire não estava orgulhosa daquilo que tinha dito. Demetria bufou.
– Sinceramente… Tu não vales um testo. – Demetria desprezou-a. Dirigiu-se para a mesa ao lado da de Claire. O seu sorriso simples e ternurento e depois ela é que era má, francamente!
Claire conteve as lágrimas, não amava Taylor mais que Demetria, não a amava de todo.

Friday, 10:36 A.M. Lovato’s House, California
Demetria tinha falado e cruzado com Claire há quase uma semana. Não tinha estofo e paciência para aguentar a sua infantilidade e irresponsabilidade. Tinha encontrado uma velha colega de liceu, Halsey.
Halsey era, também, bissexual. Tinha-se assumido há pouquíssimo tempo, estava mais graciosa e sensual. Os seus cabelos agora curtos um pouco acima dos ombros. Os cabelos foram doados a mulheres com cancro depois da sua mãe descobrir o seu cancro, maravilhosa.
Demetria convidou-a para celebrarem a sua saída do “armário”, digamos assim. Halsey aceitou de imediato. Foi um excelente jantar piquenique.
Demetria beijou-a e Halsey gostou do sabor dos beijos dela. Naquela noite começaram e subiram de patamar. Fizeram amor ali mesmo, em pleno luar perto do rio. Demetria adorou a experiencia de fazer amor em público, de o ter feito lá fora e de ter perdido a sua virgindade anal com Halsey. Adorou o contraste da delicadeza e do toque selvagem dela.
Halsey, dois dias depois da sua primeira vez com Demetria, e Demetria voltaram a fazê-lo em cima da máquina de lavar roupa da casa de Demetria. Ela voltou a adorar por ter sido rápido e extremamente prazeroso e excitante ser apanhada por alguém. A máquina tinha tido um grande papel daquela vez, ainda estava a trabalhar, ainda vibrava. Sentaram à vez em cima dela antes de fazerem amor uma com a outra.
Halsey teve de regressar à sua cidade, mas não sem antes se despedirem decentemente, fez uma oral e anal deliciosa a Demetria em plena manhã com a porta destrancada, aquela garota adorava um bom perigo.

Friday, 11:03 A.M. Lovato’s House, California
Demetria estava deitada de barriga para cima na sua cama a relembrar os bons tempos. Já tinha sido muito feliz e muito triste, já tinha passado por muito. Desde a morte do seu pai até à desilusão com Claire, esta tinha sido um verdadeiro tiro.
Sentiu e ouviu a porta do seu quarto ser aberta de rompante. Claire. Como se atrevia depois de tudo? Queria dar-lho um estalo ou talvez um beijo seguido de muito amor.
– Demi! Demi desculpa, por favor! Eu estou desesperada. – Claire estava ajoelhada sobre a cama de Demetria a chorar, aos prantos, horrível. – Demetria perdoa-me!
– Pelo quê? Estás sonâmbula e o peso na consciência aumentou? – Demetria não a olhou e troçou dela com um sarcasmo que não usaria se não estivesse magoada.
– A Taylor… A Taylor… – Os seus olhos abriram, interessava-lhe saber do resto. – Ela obrigou-me a fazer-me amor com ela. – Os olhos de Demetria arregalaram-se.
Lembrava-se tão bem da primeira vez com a tonta da Swift, mal Taylor sabia que devia ser a quarta vez que Demetria fazia amor pela quarta ou quinta vez com alguém. Sabia o quanto agressiva e possessiva ela era nesse quesito. Gostava de colocar as suas mãos ásperas e frias na intimidade de com quem fazia e massajar a intimidade nada molhada até gozarem. Era aquilo. Taylor era péssima.
– E… E como foi? – Demetria engoliu em seco a sua primeira tentativa de pergunta, estava a preocupar-se com Claire depois de tudo. – Ela fez-te mal? – Chegou-se para perto dela.
Claire soluçava e negou. Não lhe conseguiu fazer nada. Foi péssimo relembrar como tinha sido.

“Claire chamou Taylor para passar a noite na sua casa, a que a família Lovato partilhava com ela. Sentiu-se mal ao pensar que Demetria estava no seu quarto, enquanto elas se beijavam e tocavam.
Pensou e pensou, queria acabar tudo com Swift. Amava Demetria, não Taylor. Queria voltar para os braços e lábios macios e volumosos de Demetria, diferentes dos de Taylor.
– Claire? – Taylor bateu à porta e chamou pelo seu nome. O coração palpitou quase à beira de um ataque. Puta que pariu, Longoria!
Claire mandou-a entrar. Taylor fechou a porta à chave, deixando Claire confusa e desconfiada.
– Vamos ser só tu e eu, esta noite. – Taylor avançou na direção de Claire. Beijou-a à força numa medida desesperada e levou a sua mão áspera à intimidade de Claire.
Claire voltou a sentir uma ansiedade sufocante das memórias que a assombravam até aos seus dias presentes. Quis gritar como fez quando a sua mãe descobriu.
– Para! Eu não quero isto aconteça assim! Para, Taylor! – Claire lutou para que Taylor tirasse a sua mão de dentro da sua peça intima. Claire odiava-se e sentia nojo de si pelo começo da onda de prazer.
– Oh, por favor, Claire! Que desmancha-prazeres! – Taylor bufou e saiu do quarto de Claire. Claire rapidamente abotoou um dos três dos botões das suas calças que Taylor desabotoou. Ficou lá a soluçar e a achar-se um nojo de Humano

Demetria afagou-lhe a cabeça contra o seu peito. Claire soluçava como uma criança por um brinquedo. Um sentimento de preocupação invadiu-a com arrependimento, queria dar-lhe uma chapada. Não o fez, não o faria.
− Vai tudo ficar bem. – Demetria secou-lhe as lágrimas e acariciou-lhe a face com uma só mão. Uma dúvida aflorou nela, o que se tinha passado com Claire no passado? Com ela e a sua mãe? Porque se davam tão mal? Porque nunca falou do seu pai? – Posso perguntar-te uma coisa? – Claire encarou-a como confirmação. – O que se passou para seres tão receosa quanto a fazeres amor com alguém?
Demetria perguntou sem maldade, mas Claire reviveu tudo outra vez. A raiva, o nojo, a tristeza, o ódio floriram no seu peito. O princípio da sua vida tinha sido uma desgraçada autêntica. Acabou por crescer à força e depressa demais entre amarguras e ódios, fosse talvez por isso que sentisse mais atração pelo sexo feminino. Tinha um estereótipo que o sexo feminino era o delicado, o compreensível, o delicado, o género mais forte.
Quis discutir com Demetria por aquilo, não entenderia a sua reação. Demetria acabaria por descobrir, era melhor contar, seria a sua libertação. A libertação de todos os seus demónios interiores.
− Demi, por favor compreende-me… Ouve-me com atenção. – Claire estava no colo de Demetria. Demetria pensava que era uma questão de se preservar até ao casamento, mas não, era pior.
− Claro… Claire. – Quis chamar-lhe de “meu amor”, mas isso implicaria que fosse sua, ela não era.
− Eu sou filha de Eva Longoria, apenas de ela hoje em dia. – Demetria não se surpreendeu. – Eu tive um pai, mas que hoje em dia é só no papel. Ele feriu-me psicologicamente e fisicamente. – Demetria previu qual seria a história. Não, aquilo não! −  Ele era o grandioso Mike O’Neil, o aclamado melhor jogador de futebol Americano, ex-marido de Eva Longoria que foi detido em 1998 por abuso sexual de uma menor… – Claire respirou pesadamente, Demetria lembrava-se de Dianna comentar o horror com Eddie vezes sem conta.
− Ele abusou sexualmente de ti…? – Demetria perguntou em voz baixa completando a frase de Claire.
− Sim, era eu. Era de mim que ele abusava cada noite ou dia, era de mim, a própria filha. – Claire desabou sobre o peito de Demetria que estava chocada com a crueldade de Mike. – A minha mãe descobriu que a filha dela, a que ela mais amava, estava a ser abusada sexualmente pelo marido, pai da sua filha. – Na mente de Claire passaram memórias cronologicamente organizadas como tortura a si mesma.

“Com apenas cinco anos, Claire já chorava como um pedido de socorro. Claire já sabia o que lhe acontecia às exatas três horas da manhã de cada dia. Sabia que os passos pesados e com um ritmo perfeitamente medidos indicavam as três horas da manhã.
Sabia como as coisas eram. Tinha que fazer pouco barulho e assim recebia um brinquedo. Tinha que ser uma boa menina para o papá, para que o papá fizesse o seu trabalho bem feito, tanto para o seu lado como para o de Claire.
A primeira vez foi horrível como as outras que se seguiram, a única diferença era que já não se importava mais. A dor era igual, mas já estava acostumada a ela, não lhe fazia diferença alguma.
Ah, mas a primeira vez foi constrangedora e repugnante, ela tinha apenas três anos. Lembra-se de todos os detalhes como se fosse ontem.
− Claire acorda, meu amor. – Achou estranho Mike acordá-la quando todos estavam a dormir e o silêncio estava instalado. – O papá quer fazer um acordo. Se deixares que eu faça uma coisa contigo, o papá dá-te um brinquedo. Sim? – Claire com toda a inocência aceitou. – Mas, tens de estar muito caladinha, sossegada e não podes contar nada, sim? – Mike sorriu-lhe com toda a maldade que tinha.
Mike baixou as calças do pijama de Claire e a sua peça intima, Claire achou tudo muito estranho. Assim que Claire estava despida, Mike baixou as suas calças de pijama e os seus boxers e começou uma espiral de dor, onde o corpo de Claire parecia querer se dividir em dois.
         Este ritual repetiu-se por dois anos consecutivos, do qual Eva não tinha conhecimento, até um dia.
         Foi um dos melhores dias para Claire, tinham-na libertado daquele pesadelo. Doze de maio de 1998. Por sorte, Eva notou que Mike saía da cama por volta das três da manhã, observou aquilo sem nunca lhe perguntar nada por uma semana.
         No corredor da casa, reparou que as luzes do quarto da sua pequena Claire estavam acesas, ouviu os barulhos de uma cama a ranger e de pequenos gemidos seguidos de reprovação. Aproximou-se da porta encostada e muito vagarosamente abriu-a e ficou em choque.
         O seu marido abusava sexualmente da sua filha, entendia o porquê de Claire se refugiar na mãe, de a sua interação social tinha mudado, o porquê de ela estar tão triste e revoltada, ansiosa… era o porquê de tudo.
Acendeu as luzes do quarto para que Mike soubesse que tinha sido apanhado. Seguiu-se uma enorme discussão, enquanto Claire chorava e soluçava. Depois de terminar a discussão, depois de exigir o divórcio ao seu marido, Eva pegou na sua filhinha e levou-a ao hospital para também fazer uma queixa.
Mike foi preso, Claire nunca mais o viu ou o contactou e Eva foi ficando distante, supérflua, fria e arrogante.”

Demetria ficou a admirar Claire em silêncio enquanto digeria tudo o que tinha ouvido. Claire era uma pessoa com uma alma tão amistosa, tão pura, tão bela, não merecia o drama que a sua vida era.
Demetria não tinha nada a dizer-lhe, tudo lhe parecia inconveniente para a confortar.
Claire olhou para cima, para poder olhar para o rosto de Demetria. Não percebia o facto de a ter trocado pela sem-sal da Taylor, ela era maldosa! Demetria era uma alma abençoada e cheia de amor.
− Desculpa… − Claire murmurou a Demetria que ficou confusa com o seu pedido de desculpas.
Claire, que olhava para cima para poder ver o rosto de Demetria, colocou a sua mão esquerda no rosto de Demetria, elevou-se um pouco mais e beijou Demetria. Beijou-a desesperadamente e ansiosamente, lembrando-se lentamente dos seus lábios macios. Demetria foi apanhada de surpresa, mas não a rejeitou.
Demetria e Claire mataram saudades dos lábios de uma e da outra, separaram-se com pequenos beijos. Sorriram. Claire voltou a beijá-la mais calmamente. Demetria pôs automaticamente as suas mãos na bainha da camisa de Claire, retirou-as rapidamente quando pensou no seu ato involuntário.
− Não… Continua, Demetria. – Claire parecia tão embalada nos beijos e no conforto dos braços dela.
            − Claire, eu não te quero obrigar a nada… − Demetria foi interrompida com um dos dedos de Claire sobre a sua boca.
            − Faz amor comigo… Eu confio em ti. – Claire confessou de olhos fechados.
Demetria iniciou outro beijo mais rápido que o outro. Tirou a camisa de Claire deixando o seu soutien rosa exposto. Interromperam o beijo por instantes.
Demetria deitou-se para trás ficando com Claire em cima. Beijavam-se mais desesperadamente, de forma excessa. Claire tirou sem pensar ou pedir a camisola de Demetria. As suas intimidades pulsavam de desejo. Voaram para os pés da cama as calças jeans, os soutiens e as peças íntimas de ambas.
Demetria e Claire inverteram as posições, Demetria ficou por cima de Claire. Demetria começou a sugar cada um dos seios de Claire alternando entre o direito e o esquerdo e na intensidade.
Claire gemia e mordiscava o lábio inferior enquanto as suas mãos apertavam de leve o lençol da cama.
Demetria parou e fez uma trilha de beijos desde os seus peitos até à sua barriga, descendo cada vez mais e mais, até Claire sentir o constrangimento ir embora, a sua insegurança desapareceu com Demetria ali.
Demetria chupava e lambia a intimidade de Claire não para gozar imediatamente, mas para saber o que o verdadeiro prazer podia reconforta-la, fazê-la sentir-se amada. Claire puxava o cabelo da amada para tentar controlar os movimentos de Lovato. Demetria trocou a sua língua por dois dedos lubrificados pela própria saliva. Demetria penetrou os seus dois dedos em Claire. O vaivém prazeroso que fazia com os dedos começou vagaroso, a intimidade de Claire era ainda muito apertada.
− Demi… − Claire gemeu o nome da amada e deixou que uma lágrima solitária rolasse face abaixo. Demetria tinha o seu rosto frente ao de Claire.
− O que se passa, amor? – Demetria limpou o suor e os cabelos da sua face.
− Ao mesmo tempo que é prazeroso é doloroso… só isso. – Claire sorriu arqueando as suas costas na busca de prazer. Demetria beijou-a introduzindo mais um dedo e aumentado a frequência daquele movimento vaivém, Claire, por sua vez, massageou o próprio clitóris com movimentos circulares.
Claire sentiu uma onda de prazer invadi-la, escorreu pela sua intimidade abaixo, sujando os três dedos de Demetria com um líquido um pouco pegajoso. Demetria não hesitou e lambeu a intimidade lambuzada de Claire.
Claire arfou o nome de Demetria, sentia as pernas bambas de prazer.
− Queres provar? – Demetria ofereceu-lhe os seus dedos com o líquido de Claire. Claire estranhou a oferta mas aceitou. Lambeu os dedos de Demetria olhando-a, provocando-lhe uma imagem de prazer.
Demetria beijou Claire e massajou-lhe a intimidade que saltava de prazer. Parou o beijo com selinhos e encaixou a sua intimidade na de Claire e começaram um movimento de esfrega-las uma contra a outra. Claire gemia alto enquanto Demetria a beijava para abafar os gemidos que mais pareciam gritos.
Demetria gozou primeiro e só depois Claire, tinham as suas intimidades meladas pelo líquido de ambas. Claire sentiu de novo uma onda de prazer.
Demetria e Claire fizeram um 69 perfeito. Claire tinha toda a intimidade de Demetria para chupar com aquele líquido ou penetrar. Claire começou a penetrá-la devagar surpreendendo Demetria, foi a sua vez de a fazer gozar, e só depois a chupou ao mesmo ritmo que Demetria a chupava. Demetria adorou ser chupada por Claire. Ela era ótima naquilo
Demetria deitou-se ao seu lado, completamente pegajosa e cansada. Ouviu Claire rir e encarou-a.
− Amo-te, Demi. – Claire beijou-a.
− Eu também te amo. – Demetria abraçou Claire por trás formando uma espécie de conchinha.


Continue…

quinta-feira, 16 de junho de 2016

18º Capítulo − ...talvez os sentimentos que Claire transmitia não eram os mesmos que sentia ✓



I'd catch a grenade for ya
Throw my hand on a blade for ya
I'd jump in front of a train for ya
You know I'd do anything for ya
Oh whoa oh
I would go through all this pain
Take a bullet straight through my brain
Yes I would die for you baby
But you won't do the same
No, no, no, no
− Bruno Mars in Grenade

Ouviu um telemóvel/celular tocar, parecia o de Claire. Isso fê-la lembrar que Claire não tinha chegado antes das cinco horas da manhã, ela podia saber o porquê.
− Estou sim? – Claire falou baixo e muito devagar. Demetria não sabia o porquê de estar escondida da vista de Claire e a ouvir a sua conversa, era algo automático. – Ah sim, Tay! Claro que não esqueci, além de estar com puta ressaca de ontem. – Demetria ficou a pensar no apelido carinhoso de Tay, será Taylor Swift? Ressaca? – Claro, eu vou adorar encontrar-me contigo, hoje à noite! No “Here's to Never Growing Up“? – O sorriso de Claire desapareceu, a possibilidade de se encontrar com Demetria era de noventa e cinco porcento, aquela menina não desgrudava do trabalho se não tivesse motivos. – Sim, claro que pode, Tay! – Claire desligou o telemóvel/celular e suspirou pesado.
− Então? Tu foges quando nos beijamos, porém és amiga colorida da Taylor Swift? – Demetria colocou-se à frente da porta do quarto de Claire. – É isso?! Responde, caralho!
− Eu não te devo satisfações da minha vida, Demetria… − Claire aproximou-se de Demetria, os seus lábios quase se roçaram, talvez os sentimentos que Claire transmitia não eram os mesmos que sentia.
− Não? E isto? – Demetria olhou bem nos olhos azuis de Claire, estavam bem ao natural sem qualquer maquilhagem à volta, as suas olheiras eram enormes. As mãos geladas de Claire deslizaram pelas costas de Demetria, fazendo Demetria sentir o seu coração mais acelerado. Demetria passou as mãos pelo peito farto de Claire, empurrou-a para dentro do seu quarto e trancou a porta.
Demetria estava por cima de Claire, o que dava acesso livre e controlado ao pescoço de Claire. Demetria beijou toda a extensão do seu pescoço até chegar aos seus lábios rosados. Claire tomou o impulso e beijou lentamente Demetria, um beijo que continuou calmo. Claire abriu os olhos com brusquidão e empurrou Demetria para o seu lado direito.
− Esquece, sim? – Claire deu uma ajeitada ao cabelo e deixou Demetria sozinha.
Claire parecia querer brincar com os sentimentos de Demetria, o que a fez ficar triste, criou expectativas e deitou-as fora como se nada fosse. O que faria Taylor quando estivesse mais íntima com Claire?
Demetria aguardaria de longe, iria tentar estragar os primeiros planos de Taylor, mas se Claire não quiser ver, quem é Demetria para a fazer abrir os olhos? Exato, ninguém!
Lovato caminhou até ao quarto de Selena. Ela não queria desabafar, mas queria conversar um pouco antes de trabalhar, e às vezes era stressante ficar das nove horas até às dezoite num bar.
− Selena, preci… − Lovato fechou a porta lentamente, quando se virou, a sua boca formou um grande “O”. Miley e Selena estavam na pegação. – Porque será que eu sempre soube que vocês se pegavam, hein? − Selena e Miley pularam de susto.
− Agora, intendo! Agora, eu intendo o porquê de gostares de mulheres. – Miley ria, enquanto Selena se tentava esconder por vergonha de ter sido pega. – Hey, mor! Sai daí, daqui a pouco temos de ir, vamos aproveitar! – Miley puxou Selena e beijou-a.
− Sim, acho que vou andando. – Demetria falou com uma nota de trauma na voz. Fechou a porta e andou o mais rápido possível, pensando assim em esquecer o que vira.
Demetria desceu as escadas e viu um bilhetinho em cima da mesa, parecia a letra de Eddie. Por que Eddie deixariam um bilhetinho em cima da mesa?

Demetria,
Só precisarei da tua ajuda às cinco horas da tarde, mas ficarás até às oito, sim?
Beijos,
Eddie.

Era estranho quando tinha de entrar e sair mais tarde. Eddie só fazia isso de vez em quando, quando sabia que teria mais clientes nessa noite.
Demetria não teria nada para fazer até essa hora, apenas regar o jardim da frente. Tudo seria muito mais divertido se tivesse Claire, ali. Ela poderia dizer tudo o que ia no seu coração, o quanto a amava.
Todas as suas flores estavam a precisar de ser regadas, iriam murchar assim como ela, assim como o seu coração estava seco e carregado de um nada incrível!
Demetria regou algumas rosas, orquídeas, glicínios… Muitos deles não tiveram salvação, uma pena, diga-se de passagem. Ela não gostava nada de os arrancar por estarem velhos ou “estragados”. Adorava a forma de como eram plantadas tal como o seu perfume natural, era aficionada por coisas naturais.
O som de um carro a travar bruscamente ecoou, literalmente, nos ouvidos de Lovato. “Puta que pariu!”, pensou para si mesma. A sua curiosidade em ver quem iria sair do carro era inexplicável.
A sua memória nunca se esqueceria daquele carro preto, nem num milhão de anos, nunca! As pernas esguias e sem qualquer tipo de bronzeado nunca enganariam alguém. De facto, ela preferia que fosse o seu ex-amigo colorido.
Apostava consigo própria que Taylor estaria ali para fuder com Claire, se dependesse de Taylor, ela fá-lo-ia ali mesmo ou na cama de Demetria. Sinceramente, Demetria tinha que fazer algo, algo pequeno, mas não deixava de ser algo, certo?
Sorrateiramente, pegou na mangueira, posicionou-a como se tratasse de uma arma de fogo e estava pronta a “disparar”. O jato fino de água caiu diretamente em Taylor, sucesso imediato, quando esta se preparava para colar os seus lábios rosa choque nos de Claire.
Os gritos agudos de Taylor estremeceram o que havia à sua volta, ela poderia acordar os mortos com aquela vozinha esganiçada. Claire assustou-se e permaneceu imóvel ao lado de Taylor.
− Demi! O que estás a fazer? – Claire deu conta de onde vinha aquele jato de água, apesar de ela querer ficar chateada, a sua expressão parecia conter o riso. – Demetria?!
− Ria-se! A tua cara parece que vai explodir. – Demetria levantou-se e desfeche em gargalhadas. Claire ficou ainda mais enfurecida, pelo facto de querer rir e não o dever fazer.

Sunday, 04:49 P.M. Lovato’s House, California
Demetria calçou algo mais confortável, afinal ninguém merecia ficar cinco horas em pé e a limpar mesas depois de fecharem. Fechou a porta do seu quarto vagarosamente.
Desde os seus sete anos que tinha desenvolvido um tipo de raiva, uma raiva por quem batia as portas com força. Fazia o máximo para nunca bater uma porta com força, mas quando o fazia, pedia desculpas seguidas com uma careta engraçada.
Ao travessar o corredor, ouviu umas risadas familiares, Claire. Incrível como ela tinha raiva de Taylor e de Claire, como ela podia cair nas palavras que eram as mesmas, de certeza, que ouvira? Ela teve o cuidado de lhe mostrar fotos dela e de lhe dizer que Taylor não prestava. Que raiva, que raiva ela tinha de si mesma. Raiva porque não fez crer Claire.
Lágrimas formaram-se, mas elas não escorriam, não hoje. Ela daria tempo a Claire, para ela ver o quanto Taylor era podre.

Sunday, 05:10 P.M. Here's to Never Growing Up Bar, California
− Incrível, Demetria! De novo, atrasada?! Por quanto mais tempo isto vai prevalecer?! – Eddie chamou a atenção de Demetria ao tocar na mini campainha no balcão que separava a receção da cozinha.
− Nem venha, Eddie! Estou farta! Estou com uma maldita dor de cabeça.− Demetria já tinha vestido o seu uniforme e agora fazia um rabo-de-cavalo desleixado no seu cabelo.
− Já percebi, a Claire está a namorar a idiota da Taylor, não é?! – Eddie tinha um pequeno pano no ombro, contornou o balcão e ficou à frente de Demetria. Rápido as lágrimas que segurou há pouco estavam agora a rolar face abaixo. Eddie percebeu o quanto Demetria a amava.

Sunday, 06:50 P.M. Here's to Never Growing Up Bar, California
Estava tudo muito bem organizado naquela noite. George veio ajudar Eddie na cozinha e Clarisse, uma amiga vizinha da família, veio ajudar a servir à mesa.
Eddie nunca falhou em relação se o dia iria ser cheio ou não. Como ele dizia “A velhice também é um posto”, e bem, como ele estava certo.
Demetria atendia toda a gente com bastante simpatia, tinha parado de fazer performances, também, à coisa de dois dias, porque dentro de uma semana retiraria as amígdalas.
Segurou um papel do bloco de notas no varal da abertura da cozinha com uma mola de roupa. Tomou um pouco de água e sorriu para George. Quando se virou, sentiu uma ânsia de vómito e uma tontura num misto de raiva e tristeza.
Claire e Taylor tinham vindo mesmo. Taylor nem tocou na cadeira, simplesmente pousou o seu casaco, deu um selinho em Claire e, talvez, foi à casa de banho/banheiro.
Ela queria imenso ir falar uma última vez com Claire e quando se deu conta, bem, já ia na sua direção. A sua expressão fechou-se em desgosto. Claire olhava para o seu lado direito quando Demetria bateu com os punhos na mesa. Claire estremeceu de susto.
− A sério, Claire? Tu és estúpida? – Demetria rangeu os dentes. Claire olhou-a de cima.
− Não. Apenas estou com alguém que me ama de verdade, alguém que não é o que tu dizes ser. Sobretudo, alguém que não tenta algo logo com o primeiro beijo.
− Ah, esse foi o problema?! Era simples a resolução. Bastava dizer “Para, Demi. Não estou pronta ainda.” – Demetria estava alterada, o seu coração estava pesado.
− Mas eu nunca te amei… − Com toda a serenidade, foi apenas isto que Claire disse.


Continue…