quarta-feira, 5 de julho de 2017

21º Capítulo − Quero que sejas minha, assim como estou disposta a ser tua.


Take me to church
I'll worship like a dog at the shrine of your lies
I'll tell you my sins and you can sharpen your knife
Offer me that deathless death
Good God, let me give you my life
− Hozier in Take Me To Church
Todos no bar se concentraram na sua vida assim que Demetria se virou. George, que no meio da confusão saiu do escritório, puxou Demetria para o seu escritório, de novo.
− O que se passou, Demi? Que espetáculo foi aquele no bar?! – George ficou furioso com a atitude de Demetria, não lhe agradava ser o centro das atenções.
− O que se passou?! Pergunta à tua prima o que é que a mamã dela, a Taylor e o Wilmer andavam a tramar. – Demetria tinha a fúria no olhar. – A Eva queria que ela deixasse de ser lésbica, como se isso possível, à força toda. – Demetria saiu porta fora. George não podia acreditar no ser retrógrado que Eva era.

Saturday, 02:37 A.M. Here's to Never Growing Up Bar, California
O resto da noite foi calmo com um misto de constrangimento e desejo para que o expediente acabasse rapidamente. Nem Eddie, nem George se atreveram a tocar no assunto ainda fresco a Claire, não tinham coragem. Claire sentia-se um completo caco, a sua própria mãe odiava tanto que não a suportava mesmo estando longe.
Claire já estava doente daquelas brigas todas entre ela e a sua mãe, o inferno entre ela e a sua mãe começou ainda na sua pré-adolescência. Não entendia a sua mãe, o porquê de ser fria e distante, não entendia o porquê de apreciar mulheres no lugar de homens.
− Claire, vamos? – Demetria pousou a mão esquerda no seu ombro direito. Claire não estava à espera daquele toque, mas não estremeceu. Acabou por engolir o resto da sua bebida e saiu de mãos dadas com Demetria.
− Desculpa, amor. – Demetria ia concentrada nas pedras da calçada, mas fez uma cara feia ao ouvir tais palavras.
− Quê? – Demetria encarou-a. Demetria detestava aquela mania de ela se desculpa por tudo o que lhes acontecia.
− Pela Taylor, pelo Wilmer, pela Eva… Por mim… − Claire sentou-se na calçada que separava a calçada do passeio da praia e começou a chorar copiosamente. Demetria entrava em pânico cada vez que ela chorava à sua frente.
− Para Claire! Tu não tens culpa do que eles te fazem, nos fazem! – Demetria sentou-se ao seu lado. – Tu devias parar de lhes dar tanta importância, tu tens me a mim. Isso não basta? Não basta o meu amor? Da Sel, da Miley, da minha família… Tens tanta gente que se preocupa contigo.
Claire limpou as lágrimas e abraçou Demetria. Demetria distribuiu carinhos e beijos na sua testa e ombro, levantou-se e estendeu a sua mão a Claire que imediatamente percebeu a ideia de Demetria.
Demetria e Claire caminharam pela areia fria lado a lado e sentaram-se mais próximas do mar. Trazia-lhes calma olhar para o mar, agora escuro pela noite.
− Queres mergulhar? – Demetria encarava o mar. Com Claire ao seu lado não tinha medo de cometer qualquer tipo de loucura.
− Estás doida? Já passa das duas da manhã e a água deve um gelo. – Claire protestou. Demetria tinha Claire sentada encaixada nas suas pernas.
− Tu é que não estás habituada, amor. – Demetria riu-se, em parte o que dizia era verdade. Claire reprimiu-a com o olhar mas acabou por a acompanhar numa longa gargalhada.
Claire parou de rir e virou para trás para a puder encarar. Pôs-lhe uma madeixa de cabelo atrás da orelha e beijou-a. Demetria gostou da sensação surpresa que Claire lhe proporcionou, pousou as suas mãos nas ancas de Claire, fê-la rir.
Demetria deitou-se sem se separar do beijo da amada. Claire tinha as suas pernas, uma de cada lado das ancas largas de Demetria, a maneira como sustentava o peso do seu corpo. As suas mãos estavam na cara de Demetria. Claire avançava agora sem medo e mais depressa, as suas mãos deslizaram para dentro das calças jeans de Demetria.
− Claire… – Demetria parou Claire durante uns instantes. – Nós precisamos de esclarecer algumas coisas.
− Fiz alguma coisa? Desculpa, não era minha intenção magoar-te ou desapontar-te… − Claire ergueu-se e começou a abafar-se com desculpas. Demetria revirou os olhos e deu um beijo leve nos seus lábios para a calar.
− Claire para de falar tanto. – Demetria compôs as suas calças jeans. Claire esperava ansiosamente e desesperadamente pelo que Demetria tinha a dizer. – Tu sabes que precisamos esclarecer algumas coisas, para assentar a poeira. – Demetria acariciava a sua bochecha direita. – Só quero saber se isto é realmente como penso, como sinto. Eu amo-te muito, ocupas um lugar especial no meu coração, não quero perder-te como te perdi para a Taylor tempos atrás. Quero que sejas minha, assim como estou disposta a ser tua. – Demetria ainda acariciava a cara de Claire.
− Demi, eu já era tua mesmo antes de te conhecer. – Claire sorriu-lhe e pousou a sua mão na de Demetria. Uma luz forte, possivelmente de um carro, cegava Claire que se viu obrigada a colocar a mão direita a tapar os olhos do clarão. – Amo-te
Claire beijou Demetria, ambas caíram para trás. A areia fina começava a irritá-las e a criar comichão. Seria melhor pararem de se beijar antes que tudo aquilo evoluísse para outro patamar.
− E se parasse com essa paranóia e olhasse para si? – Claire e Demetria pararam o beijo num sobressalto. Havia duas mulheres na calçada a discutir em alto e bom som.
− Não se meta na vida dos outros. Cuide da sua! Se tiver uma, claro. – Claire reconheceu ambas as mulheres.
− É a minha mãe e a Caroline, Demi! – Claire levantou-se num impulso, deixando Demetria para trás a pensar ainda nas palavras de Claire.
            Obviamente que Taylor e Wilmer iriam contactar Eva. Claire só não sabia que ela estava tão perto deles. Devia ter desconfiado da paranóia extrema de Eva.
            − O que se passa aqui, minha menina? – Eva partiu para cima de Claire sem a deixar respirar. Agarrou-lhe no braço e questionou-a friamente. Parecia que ela era o pecado. – Ouviste Claire? Foi assim que eu te ensinei? Namoro com garotas? – Eva repreendia o “erro” gigantesco que cometera.
            − Desculpe?! – Caroline puxou Claire dos braços de Eva. Demetria tinha chegado e Eva já lhe apontava o dedo pronta para descarregar algumas palavras. Demetria não se iria deixar ficar. Não levava desaforos para casa. – Você é um monstro. Você culpa a sua filha por algo que não tem qualquer mal, qualquer pecado, por algo que não escolheu.
            Caroline estava horrorizada.
            − Não percebo como uma garota tão bondosa como a Claire a suportou sequer, você não merece a filha que tem. – Após as palavras disparadas como flechas de Caroline, Eva desabou. Ela não a merecia, de todo. Eva tinha sido a sua heroína e agora era a sua inimiga, que bela tragédia emocional. Claire sabia o porquê da sua mãe chorar. Ajoelhou-se ao seu lado.
            − Por favor, não chore, mãe! – Claire começou a chorar. Caroline tentava tranquilizar Demetria que estava farta daquelas perseguições. – Mãe olhe para mim.
            Eva abraçou-a e soluçou no seu abraço. Sabia que era hora de parar com aquela birra, aceitar que ela não mandava em nada no que tocasse nos sentimentos da filha.
− Desculpa, Claire. – Eva chorava copiosamente. – Desculpa, Demetria. Peço desculpas também a si… − Eva limpou as lágrimas e olhou as duas que ainda estavam em pé, a olhá-las.
− Caroline. Não precisa se desculpar perante mim, apenas à sua filha. – Caroline acariciou-lhe os cabelos e sorriu-lhe maternalmente.


Continue…

2 comentários:

  1. Eu to começando a me apaixonar pela eva do tanto que ela é um amor de pessoa.
    Claire se a lovato não for suficiente o que será? Foco nela! Pois a mim a azevedo ta muito mais que suficiente (não posso perde a deixa né ).
    Oia a evolução Claire partiu ao ataque eba.
    Ta que merda é essa de ir se ajoelha perto da eva e ficar a cuidar dela! Não acredito nesta mudança repentina da água pro vinho ai tem coisa né!

    agora sim posso pedir mais (0_0) rara, a criança quer docinho.

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    1. Pela Eva? É ironia?
      Sim, se não for suficiente, deixa ela para mim (não me mate, por isso). É, reparei que não pode perder a oportunidade :V
      Claire se esmera, não????
      Ah mor, não consegui passar a ideia do porquê da mudança, mas é simples. As atitudes da Eva eram um tipo de capa, sabe? Por tudo o que passou, como se isolasse da filha, para que não se magoasse mais com alguma coisa que acontecesse com a Claire, o facto de vir a descobrir a homossexualidade só contribuiu para ela se certificar que mais tarde, Eva, se magoaria ao ver Claire magoada com o preconceito, Aquilo era só fachada e teimosia.
      Pedir mais = Último capítulo
      ♡ xoxo ♡

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